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Brasil

No ritmo da viola e das cirandas o I Encontro Nacional de Agricultura Urbana (ENAU) iniciou nesta tarde (21/10) suas atividades na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Com mais de 250 representantes de organizações e agricultores (as) de todas as regiões do país, o evento busca refletir sobre o tema, discutir políticas públicas no âmbito federal, fortalecer o coletivo e promover trocas de experiências. A atividade é realizada pela Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), o Coletivo Nacional de Agricultura Urbana e o Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN). Uma feira com produtos agroecológicos de todo o Brasil está exposta ao público.

Por Eduardo Sá, da ANA. Foto: Wanessa Marinho/CTA-ZM.

Movimentos sociais reforçaram a importância de avanços nas políticas públicas para a agricultura familiar e para os povos e comunidades tradicionais, e reivindicaram o lançamento do Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara) durante o Seminário Dialoga Brasil Agroecológico, no Palácio do Planalto. O evento ocorreu entre os dias 16 e 18 de setembro e contou com a participação de Miguel Rossetto, ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, e Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Agrário, além de representantes do movimento agroecológico de todo o Brasil. A atividade teve como objetivo a construção de propostas para o segundo Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, previsto para 2016 a 2019. 

A “Carta de Outro Preto” foi elaborada durante o V Encontro da Articulação, evento que ocorreu após a realização de caravanas em territórios afetados por atividades ligadas à mineradora em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Pará

O V Encontro Internacional das Atingidas e Atingidos pela Vale, que aconteceu entre os dias 13 e 15 de agosto, na cidade de Ouro Preto, reuniu cerca de 100 participantes para debater as experiências e traçar estratégias no enfrentamento das violações cometidas pela mineradora Vale por todo o mundo. O evento ocorreu no coração da região mais afetada pela mineração em Minas Gerais, o chamado Quadrilátero Ferrífero. Antes do evento foram realizadas duas caravanas que percorreram áreas diretamente prejudicadas pela ação da mineradora.

"Invadem área pública, terra indígena ou assentamento, não dão a mínima para o aparato legal, que é totalmente frágil nesses confins, e aplicam o seu poder. Qual o objetivo: os saqueadores primeiro vendem a madeira, mas o que eles querem é a terra, que depois será convertida em pastagem ou em campo de soja."

Oficialmente eles são chamados de madeireiros, mas como em qualquer estatística registra que entre 50 e 80% da madeira que sai da região é ilegal, portanto, são saqueadores. Invadem área pública, terra indígena ou assentamento, não dão a mínima para o aparato legal, que é totalmente frágil nesses confins, e aplicam o seu poder. Qual o objetivo: os saqueadores primeiro vendem a madeira, mas o que eles querem é a terra, que depois será convertida em pastagem ou em campo de soja. É assustador um levantamento realizado pelo pesquisador João Carlos de Souza Meirelles Filho, para o Museu Emílio Goeldi: até 2030, considerando a expansão média de 1,7% na pecuária nacional, a Amazônia terá mais de 103 milhões de bois. Significa criar, recriar e engordar, na linguagem técnica, mais 20 milhões de cabeças e, no mínimo, que precisarão de mais 16 milhões de hectares de pastagens.

Apenas no Mato Grosso, um dos principais polos do agronegócio no país, a má distribuição da terra é tem se tornado uma das principais causas de conflitos sociais.

A concentração desequilibrada de terras está na raiz da história brasileira. O antigo latifúndio, responsável pelas extensas propriedades rurais, "se renovou e hoje gerencia um moderno sistema chamado agronegócio", constata Inácio Werner, em entrevista concedida à IHU On-Line por e-mail. Segundo ele, apenas no Mato Grosso, um dos principais polos do agronegócio no país, a má distribuição da terra é evidente e tem se tornado uma das principais causas de conflitos sociais. No total, "3,35% dos estabelecimentos, todos acima de 2.500 hectares, detém 61,57% das terras. Na outra ponta, 68,55% dos estabelecimentos, todos até 100 hectares, somente ficam com 5,53% das terras".

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